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fim das ipss  Inserido Thursday 13 December 2007 16:05

Como cidadão interessado e empenhado no futuro do meu País, não posso deixar de me indignar com as notícias que têm vindo a público referenciando o fim das transferências de subsídios do estado para as IPSS com ATL. Vamos por partes: IPSS: Instituições Particulares de Solidariedade Social. Descodificando, são todos os organismos civis que se dedicam a causas sociais, complementando ou suprindo necessidades da comunidade que por motivos vários (falta de dinheiro, incúria, desconhecimento, ignorância), não se encontram abrangidas pelos organismos estatais. Como exemplo temos: creches e jardins de infância, ATL-Actividades Tempos Livres para ocupação das crianças após as aulas e enquanto os pais não chegam a casa, actividades ocupacionais para Séniores (terceira idade), lares para deficientes, entre outros. Os ATL destinam-se a receber e ocupar com actividades lúdicas, as crianças que frequentam o ensino escolar obrigatório e que, no fim das aulas, não têm para onde ir. Hoje, são poucos os pais que se podem dar ao "luxo" de ir buscar os seus filhos a meio da tarde, todos os dias, para os levar a casa, ou de lhes proporcionar um local para almoçarem quando não existe cantina na escola (o que ainda acontece em muitos locais). As actividades profissionais, a distância de casa para os locais de trabalho, o trânsito, a enorme ocupação e frenesim dos nossos dias, levam a que muitos pais não consigam chegar a tempo de buscar os filhos e os levarem para casa, antes da 19:30, 20 e por vezes mais tarde. O mesmo se passa de manhã: para que possam chegar a horas aos seus (cada vez mais escassos) empregos, precisam de sair muito cedo, bem antes da abertura das escolas. Os ATL proporcionam uma forma económica (são subsidiados e os pais pagam em função dos seus rendimentos), segura e eficaz de resolver este grave problema que atormenta as famílias com crianças a estudar. O nosso actual Governo, de forma "brilhante e inteligente" (note-se o tom sarcástico) achou que poderia poupar mais uns tostões, deixando de financiar as IPSS, no que respeita aos ATL, mantendo as escolas abertas por um período de tempo maior. Nada a opor. O único problema é que vem tarde: a sociedade civil teve de se organizar, criar as ditas cujas IPSS e resolver a questão pelos seus próprios meios. Assim, hoje existem muitos ATL por esse país fora que vivem à conta dos subsídios que recebem da Segurança Social. Como estas transferências só cobrem parte das despesas, têm de recorrer à imaginação para arranjar o dinheiro para pagar os ordenados das educadoras, auxiliares de acção educativa, cozinheiras, alimentos, electricidade, gás, etc. São muitas pessoas já a trabalhar nestes organismos que se encontram em risco de ficar no desemprego. As crianças irão para a rua, pois não há garantias que o Estado consiga fazer melhor que a comunidade. Nem mais barato... Durante alguns anos de experiência em que os meus filhos (hoje já grandes) "habitaram" um desses ATL que agora o governo, supostamente, se prepara para encerrar, aprendi que existem pessoas capazes de tudo, até (quase!) roubar, para proporcionar aos outros algum bem estar. O dito cujo ATL funcionava das 7.30 da manhã até às 8 da noite (!) permitindo aos pais que trabalham duramente e que não têm outra hipótese que não seja "despejar" os seus filhos nestes locais e ir buscá-los já muito tarde. Aconteceu-me algumas vezes ficar preso no trânsito e pedir para esperarem mais um pouco, para lá das 20.30... Serviço este prestado por auxiliares de educação com um salário ridículo, assim como as educadoras, que no entanto ainda encontravam tempo para fazer vários espectáculos para os pais, pelo Natal, Carnaval, Páscoa,fora de horas (à noite e fim de semana) com as crianças, mesmo prejudicando as suas vidas particulares, e sem ganhar mais por isso. Uma instituição em que o Presidente, já avô, depois de a ter criado para auxiliar os filhos, agora trabalha para os netos. Ah, a pessoa em questão, para além de não ganhar nada, ainda tem de gerir o seu pequeno estabelecimento comercial, dedicando-se à gestão da IPSS nas suas (poucas) horas livres e ainda pagando do bolso o combustível e as inúmeras chamadas para telemóveis. São estes os ATL que querem fechar? Depois de terem substituído (com sucesso) os pais trabalhadores, que neste mundo árduo e sem regras, trabalham 8, 10, 12 horas por dia, com dificuldades, saindo de casa de madrugada para enfrentar o trânsito e regressam ao fim do dia, já noite dentro, sem possibilidades de ir mais cedo buscar as crianças nem lhes proporcionar desporto, acompanhamento nos estudos e trabalhos de casa, actividades lúdicas como teatro, música, informática, a não ser com o recurso a estes ATL, por um valor reduzido. Eu já tenho o meu problema resolvido: os meus filhos já regressam para casa depois das aulas sozinhos e não necessitam deste acompanhamento. Mas tantos e tantos que irão ficar na rua...e as centenas, senão milhares, de pessoas que animam estes espaços? Educadores, auxiliares, cozinheiros, motoristas...vai tudo para a rua? Afinal o desemprego já não é apenas nos texteis nem nas fábricas de calçado. Acho que é necessário criar um movimento de fundo que mostre a este governo que terá de encontrar outros locais para poupar e reduzir o défice: no exército, nas mordomias dos governantes, nos assessores dos senhores deputados, nos brutais desperdícios existentes na administração pública. Agora, não venham destruir as obras privadas de dezenas de milhares de pais e amigos, que pedincham computadores velhos, camas e colchões usados, brinquedos em segunda mão, voluntários para ajudar, gente para pintar e recuperar os edifícios, que passam rifas (ilegais) e promovem festas e campanhas de angariação de dinheiro para compensar as despesas e a fraca participação do estado. Não! Há que dizer BASTA. João Emílio Almeida

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