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este e-mail dá que pensar  Inserido Monday 10 December 2007 14:50

Para TODOS os Professores...

De um engenheiro, marido de uma professora.


A propósito das avaliações e do processo continuado de desacreditação dos Professores que a Ministra quer impor à opinião pública, gostaria que os
Professores pensassem no seguinte:
Em vez de fazerem greves inócuas, que
ainda por cima cheiram a férias desapropriadas entre feriados, os professores

                                deviam pensar seriamente 
em cumprir integralmente nas suas escolas o seu horário
de trabalho.
                    Passo a explicar:

Pela manhã, TODOS os professores se apresentavam nas suas escolas para iniciarem o seu dia de trabalho.

Agora vai ser necessário um pouco de aritmética, mas da mais básica.
         Se um professor tem 3 horas de aulas num dia, cumpre mais quatro horas de permanência na escola.
         Nessas quatro horas é suposto corrigir testes, preparar aulas, elaborar enunciados das provas, etc., etc. tudo o que se relacione com a sua profissão e que normalmente está habituado (mal ) a fazer em casa.É  também suposto utilizar as secretárias, as cadeiras, os computadores e as impressoras da escola para o seu trabalho.

- É que também é suposto que, antes de exigir resultados, a escola lhe forneça condições de trabalho.
No final das sete horas de trabalho diário (7 x 5 = 35)
saíam da escola para casa, deixando na escola o trabalho que ficou por fazer.

Facilmente os Conselhos Executivos chegarão à conclusão que a escola não oferece condições aos professores para que estes trabalhem, e terão que o comunicar ao Ministério, ou não há seriedade. (Ou tentarão os Conselhos Executivos agir de forma a convencerem os professores de que, como estes se acotovelam na escola, o melhor será irem para casa? )

Mas poderão os professores ser penalizados por quererem exercer o seu trabalho no local de trabalho que lhes está por natureza determinado?

Deixem de ser um bando e passem a actuar como um GRUPO.
             TODOS para as escolas desde manhã a cumprirem o horário de trabalho na escola, o local de trabalho natural.
             Atasquem completamente as escolas com a vossa presença e deixem que a ausência de condições de trabalho faça o resto. 
             Deixem-se de greves inócuas e atrapalhem verdadeiramente o sistema de forma legal.
             Provem de uma vez por todas que querem trabalhar e que este patrão não vos dá condições de trabalho apesar de vos exigir resultados, e ainda por cima
enxovalhando-vos continuamente.
            Substituam os sindicalistas que vos representam
tão mal e que já não sabem o que é dar uma aula há mais de 20 anos por Professores que saibam discutir os assuntos de forma séria.
            Sejam de uma vez por todas PROFESSORES UNIDOS.

Se assim não for, rendam-se às evidências e façam o trabalho dos auxiliares educativos, que ajudam o ministério a poupar uns cobres.

E NÃO SE QUEIXEM.

Para quem não sabe, não sou professor. Sou um reles engenheiro que às vezes pensa nestas coisas, muitas delas quando às quatro ou cinco da manhã grito para a minha mulher que está no escritório a corrigir testes e lhe pergunto se não se vem deitar.

Agora, façam a vossa parte. Façam forward deste mail para todos os vossos amigos, especialmente os professores. Comecem a divulgar esta ideia e façam entender a este Portugal e ao Ministério da Educação a importância do professor.


Filipe Pinheiro de Campos Bragança


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Todos os comentários feitos ao artigo :
este e-mail dá que pensar

  • mailtoRui Pires

    Mon 28 Jan 2008 20:45

    Inteligência das Greves de Professores

    As Greves de Professores, conforme têm sido convocadas pelos respectivos Sindicatos, enformam de alguns vícios de estratégia política que cumpre elucidar:

    1.º Os factos políticos e sociais actuais que geram um clima negativo na profissão docente, afectam negativamente o seu exercício e, consequentemente, a educação das crianças e dos jovens do nosso país, radicam no enquadramento cultural desprestigiante desta profissão e no oportunismo político do poder executivo que utiliza esta realidade para obter resultados de duvidosa oportunidade e razoabilidade nesta área de intervenção e apenas justificáveis numa óptica financeira e de médio prazo;

    2.º Para este enquadramento cultural depreciativo, contribuíram diversos agentes sociais, entre os quais, os próprios Professores com passividade e tolerância perante a mediocridade de alguns dos seus pares e perante algum corporativismo e isolamento tencionado em relação à comunidade educativa;

    3.º Apenas uma análise sistémica e estrutural permite compreender a complexidade dos problemas e da multiplicidade de relações que envolvem e viabilizam a nova doutrina que se pretende impor na escola, e em particular no estatuto da classe docente;

    4.º Esta nova realidade forjada no decurso de décadas, apenas poderá ser invertida e superada com benefício simultaneamente profissional e educativo, se se valorizar o respeito por todos os seus intervenientes e através de uma estratégia também profunda e estrutural, com uma valência socialmente pedagógica certeira e focada em credibilizar os profissionais docentes;

    5.º A simples e reiterada marcação de Greves dos Professores (medida tão emblemática dos Sindicatos representativos dos Professores, pouco imaginativa e de eficácia questionável como se depreende da evolução da descaracterização da profissão docente) não cumpre nenhum dos pressupostos de actuação eficaz consagrados no ponto anterior, opondo-se inclusive a alguns daqueles e esbarra impotente na maioria absoluta de um Governo que revela reduzidos escrúpulos para alcançar os seus objectivos na esfera económica e, inclusive, uma acuidade especial para controlar e manipular ardilosamente a comunicação social de forma desleal e moralmente incorrecta;

    6.º A estratégia de intervenção deverá nortear-se pelos princípios da Adequação (do trabalho docente aos recursos disponíveis) e da Valorização da profissão docente (maior exigência na qualidade das reflexões, das decisões e das intervenções e maior divulgação desta certificação e dos factores obstrutivos de uma prática de nível superior);

    7.º A intervenção concreta deverá traduzir-se numa Greve de Zelo, caracterizada pelo cumprimento integral das 35 horas de serviço docente na escola, registado através de um sumário diário (das diversas fracções), ajustado aos recursos temporais, físicos, materiais e organizacionais específicos, e associado a uma informação contínua e regular da comunidade educativa sobre a qualidade do trabalho desenvolvido e o mérito dos profissionais da educação face às limitações e constrangimentos dos seus contextos de trabalho e inclusive, dos seus contextos de vida pessoal e familiar que decorrem do exercício desta profissão.

    Junho de 2006 (publicado na revista «Página da Educação»)